sexta-feira, 6 de março de 2009

da minha relação com filtros vermelhos [1]

as duas horas seguintes talvez tenham sido as mais estranhas da minha vida. me sentia bem, me sentia livre. a música era boa, os amigos eram os melhores. eu sorria a todo instante e dividia meus dedos entre copos e malboro red, que em menos de duas horas, já tinha se tornado meu amigo íntimo.

ela me contou sobre sua vida, seus interesses, seus afetos e desafetos. sem perceber, estávamos em um lugar silencioso e longe das pessoas. eu falava de como era bom estar ali. ela falava que não me deixaria sair. eu achava graça. tocava seu rosto, a beijava. ela falava coisas doces ao meu ouvido. quando dei por mim, nosso rosto estava colado. olhava dentro de seus olhos, sentia sua respiração. ela parecia me querer dentro dela. eu também queria. não ali, já não era apenas um filtro vermelho naquela noite noite, existia mais um, agora me queimava por dentro. sabia que ela sentia o mesmo. não queria apagá-lo ali.


(continua)

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