MiMínimo
Minimalista. Gosto dessa palavra. E de repeti-la silenciosamente enquanto bebo licor de cacau no fim da tarde. Talvez por nunca conseguir ser um. Ser um minimalista. Eu gostaria de dizer um monte de coisas compactas numa só palavra. Assim, juntinhas como centenas de latinhas de alumínio recicladas. Não consigo. "Paixão é clichê". "Amor" muito vago.
Eu queria encontrar uma palavra que significasse leite-quente-em-dia-frio-abraço-de-urso-panda-biscoito-de-nata-poema-de-martha-medeiros-dormir-de-rede-na-praia. Tudo numa só palavra. Um dialeto. Um código. Um gesto. Aí depois que eu encontrasse essa palavra eu a mandaria numa carta de envelope verde-água numa folha de papel nanquim. Pra ela.
E essa palavra seria minimalisticamente exata. Milimetricamente perfeita. E conseguiria dizer num só toque e em letras garrafais tudo que eu repito, repito, repito e disfarço em contos curtos, mas não consigo. Dizer. Uma palavra só como uma gota d'água. De dez gramas. Quatro cores. Dez letras.
Mas depois disso eu teria que ter outra palavra. Minimalista também. Que relizasse a ansiedade e o frio na barriga que ia dar pensando nela lendo a minha carta de uma só palavra escrita num papel manteiga com nanquin dentro de um envelope verde-água. E mais outra palavra que traduzisse a sensação de saber que ela acharia linda a carta.
Mas que nem por isso me amaria como eu a amo. Pronto. Caí no vago: 'Amor'. "
Rodrigo Levino
segunda-feira, 20 de dezembro de 2010
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Um comentário:
Ah,que demais =)
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